quarta-feira, 19 de abril de 2017

O ENCONTRO - Capítulo I - Página 1

Capítulo I
      O ENCONTRO


     Ela estava ali, sentada, mãos que se esfregavam asperamente, pés que não sabiam onde parar e cabeça baixa como alguém que tenta achar resposta no vazio.  Eu, em frente a ela, esperando uma oportunidade do acaso, para perguntar se podeira ajudar. Até que . . . uma voz feminina, com pouca compreensão diz que a composição apresentou avaria e estava esperando conserto.  Em meio a tantos burburinhos de reclamações asperizadas, empurrões a pessoas que não tinham nada a ver com o problema, percebi que o vagão estava quase vazio e o acento ao lado dela estava vago. Exitei em sentar ou não sentar.. . a final era uma oportunidade que tanto pedia a mais de três estações.
      Assim como quem pede socorro, ela olhou para cima e dentro dos meus olhos disse tudo que minha mente poderia entender.  Subitamente, sentei ao seu lado, e com a voz, entre o certo e duvidoso, perguntei:  
- posso ajudar em alguma coisa?
Um longo silêncio tomou conta de uma conversa que  nem mesmo havia começado.  Meu coração pulsando acelerado, como me dizendo: pergunta de novo.  Até que tomei coragem de perguntar e entre meu abrir da boca e saída das palavras, ela numa pequena parada de seus incontáveis acessos de nervosismo, mesmo com a cabeça baixa, diz:
- como? Será que você consegue?

Um repentino apagão em minha mente se deu, ao mesmo tempo em que me perguntava porque estava tão nervoso.  E sem abrir mão do costume carioca de falar, toquei-lhe o ombro e disse:

- ao menos posso tentar. 

Minha mente trabalhava respostas em uma velocidade computacional, mesmo não havendo mais perguntas a serem respondidas.  Até que ela levanta a cabeça lentamente, e com os olhos marejados de aguá, que, como fisicamente impossível, não caiam dos olhos me diz:

- bom dia, sou Rita . . . e  . . . e  . . . preciso de muita ajuda. . . mas acho que só D'us poderá fazer.

Não sei de onde tirei tanta ousadia, disse: 

- não sou D'us, mas sou filho dele, e tenho certeza que ele me ouve eu se pedir algo.

Foi então que algo inimaginável, ao menos naquele momento, se deu.  Ela sorriu, recostou-se no banco, e deixou seus olhos perceberem todo entorno, onde pouquíssimas pessoas estavam ao nosso redor, davam a nós dois uma atmosfera necessário àquela conversa.

- que bom, então ele também me ouviu.  Estava pedindo que ele me mandasse um anjo.

Sorri como nunca fizera antes e não deixei o silêncio atrapalhar a conversa.

- não sou louro de cabelos encaracolados, mas tenho todo tempo do mundo para te ouvir e juntos falarmos com D'us.
Ela indagou o porquê do trem estar vazio, para onde eu estava indo, se tinha tempo de ouvi-la e com uma frase animadora disse:
- bem, como disse, meu nome é Rita, sou de uma cidade muito interiorana do Rio de Janeiro, onde nem internet tínhamos direito.


. . . continua